quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Capítulo 1 - O Tigre e o Dragão (Parte III)

Hã!? Murmurou Ryuuji, levantando-se da cama ao ouvir um barulho que vinha da sala.
O relógio marcava 02h03min da manhã... O que será que aconteceu? Laisa não deve ter chegado em casa ainda... Certo? Como ela trabalha durante a noite... Então apenas se levantou e foi ver o que era.
Eeei! Tem alguém ai!?... Gritou desconfiado.
O forte barulho de vento fez Ryuuji desviar seu olhar para para a grande porta de vidro que dava para a varanda. Pelo reflexo da porta viu uma pequena criatura com um grande bastão o atacando por trás. Rapidamente se virou e o segurou, tentando se proteger.
Ooow! Gritou. A pequena criatura não desistiu e continuou fazendo força. O-O que diabos.. Ryuuji abriu os olhos. Eu conheço alguém tão baixa assim...
Em um momento de distração, conseguiu derrubá-la e correu para acender a luz o mais rápido possível.
Taiga! Gritou mais do que precisava. Ela ainda sentava no chão com os olhos fechados e uma de suas mãos no nariz. Rapidamente se virou, pegou uma roupa que estava pendurada no armário aberto e assuou o nariz. Não! Use um lenço! Gritou novamente. Ela o olhou furiosa.
O-o qu-quee!!? E mais um golpe de raspão. Contudo, logo em seguida, Ryuuji foi jogado para a parede com o bastão a alguns poucos centímetros de meu rosto.
Esqueça isso Disse Taiga com uma voz assustadora.
Hã!? Esquecer isso...!? Ah, aquela car... então ela fincou o bastão na parece. Ele Tremeu. ...ta! Disse completando a interrompida frase.
Eu não posso mais continuar vivendo agora que você descobriu sobre ela. Eu tenho que morrer! Disse ela apontando o bastão para mim.
Então não tente me matar! Gritou assustado.
Eu não quero morrer, então eu tenho que te matar! Gritou ela seriamente. Ou... Você poderia esquecer tudo isso!
Isso é impossível! Então, novamente fincou seu bastão no mesmo lugar que ficara antes.
Tudo bem, só vou atingir sua cabeça com isso. Mesmo que não consiga te matar, posso mandar suas memórias para longe!
Não me mande para longe! Se desesperou. Escuta aquela car...
Cale-se!
O quee!?
Cale-se, cale-se! Começou a se sacudir. Você viu, não viu?! Você leu, não foi?!
É isso que estou tentando lhe dizer. Eu não... E novamente foi interrompido.
Não! Isso não vai dar certo. Então você tem que esquecer tudo sobre a ca-carta de amor! Gritou corando.
No entanto rapidamente levantou seu bastão que foi de encontro a Ryuuji. Em frações de segundos ele conseguiu ver sua vida toda. Mas como não iria deixar terminar assim, tomou uma atitude rápida.
Estava vazia! Exclamou rapidamente, antes que algo pior poderia acontecer.
Va-vazia...!? E então parou seu bastão a poucos centímetros da ponta do nariz do já pálido Ryuuji.
Sim. Não havia nada dentro. Disse ele mais calmo. Você teve sorte em não entregá-la para o Hugo. Ela o olhava fixamente. Vamos apenas esquecer tudo isso e...
Sua atenção logo se voltaram para o barulho que ouvira. Taiga havia caído de cima da mesinha de café na qual estava em cima para parecer mais alta. Então, ouviu-se um ronco.
He-Hey...!

Sentados na simples mesa no centro da sala, Ryuuji apenas a observava comer vorazmente a comida que preparara. Quanta comida caberia na barriga dessa pessoa tão pequena? Pensava com o rosto apoiado nas duas mãos sobre a mesa.
Exatamente o quanto faminta você está? Enrugou a testa.
Eu fiquei cansada da loja de conveniência. Disse com a cara fechada enquanto pegava mais um pouco de carne.
Loja de conveniência!? O quê, seus pais não te... Parou por um momento. Quem sou eu para falar de relacionamento com os pais? Acho que todos têm problemas familiares. Pensou. Aqui! Disse esticando sua mão para lhe entregar um lenço de papel. Pegando o lenço rapidamente, corou, pois percebera que estava com o rosto sujo.
Se você apenas tivesse me entregado a bolsa aquela hora, nada disso teria acontecido! Murmurou Taiga limpando seu pequeno rosto. Como você pretende reparar seu erro!? Gritou se levantando da mesa.
Seu rosto ainda está sujo. Balbuciou Ryuuji sem interesse algum na proposta da colega. Taiga arregalou os olhos e então limpou envergonhada.
Ouvir isso de um cara que só nasceu para pôr a essência de alho no óleo usado neste arroz frito... Disse olhando para baixo com o lenço ainda no rosto.
Agora escute aqui... Gritou Ryuuji batendo na mesa. Foi interrompido ao olhar para Taiga. Pequenas lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ele ficou pensativo. - Como uma carta de amor pode ser constrangedora? Perguntou tentando se redimir. Entenda, não está nem perto de ser embaraçosa. Apenas espere.
Ryuuji se levantou, deixando a garota com um ponto de interrogação no rosto. Ele poderia, talvez, entender a frustração que sua colega estaria sentindo, com poder ao menos, entregar uma carta descentemente. Assim, percebeu que também tinha esse problema. A muito tempo nutria um amor platônico por sua colega de classe, Alice Minori, e se quer a fez perceber disso.
Voltando a sala, onde deixara momentos antes, Ryuuji carregava uma grande caixa cheia de CDs, cadernos de anotações, cartas e outras tralhas.
Observe! Disse ele colocando a caixa sobre a mesa. Taiga se virou automaticamente sem entender nada.
O-oque é tudo isso? Disse pegando um dos cadernos jogados no canto da caixa. Ele riu e fechou os olhos, cruzando os braços sobre o peito.
Essa é uma lista de músicas que eu usaria em um concerto para a garota que eu gosto. Esse é um poema que eu criei para ela sem me perceber. Mini discos para tocar em uma viagem de carro com ela. Taiga apenas achava isso um monte de tralhas patéticas, feitas por um menino patético. Eu tenho planos determinados para todas as estações do ano. - Repugnante, não é? Completou Ryuuji tentando fazê-la sentir-se melhor. Já que eu não tenho coragem de me confessar para ela, eu só tenho que imaginar dessa forma. É terrivelmente miserável, mas eu não penso nisso como embaraçoso! Você precisa crer em si mesma! Você foi além da imaginação e tomou a iniciativa. Disse se sentindo um conselheiro. Você tem que pensar no seu futuro, intensamente, e com alto astral! Disse com os olhos ainda fechados.
"Eu concedo isso a ti, Alice Minori" Leu Taiga, um dos livros de Ryuuji, interrompendo-o.
Sim, exatamente como Alice Minori! ... O- o que!? Gritou ao perceber que Taiga descobrira de quem ele gosta.
Então você gosta de Minori... Disse indiferente. Que insolente. Murmurou Taiga levantando o caderno que Ryuuji tentara pegar. Aprenda seu lugar.
Cale a boca! Quem é você para falar isso? Disse furioso.
Qual é a sua?! Você disse que esqueceria! Gritou ela dando-lhe um soco.
Ao cair, Ryuuji olhou para o relógio que marcava 04h16min da manhã.
Já esta tarde. Exclamou se levantando. D-De qualquer forma, nós estamos no mesmo barco! Eu não vou dizer nada sobre a carta, tudo bem pra você?
- Não. Respondeu fria se virando para o lado.
- Por quê?! Não, espere ... Você já teve sua refeição, então saia! Disse irritado. Ou melhor, por favor, poderia sair? Minha louca mãe está quase chegando! Implorou gritando.
- De. Jeito. Nenhum. Gritou irritada. Eu não posso confiar em você. Além do mais... Ela corou. Como são as cartas de amor? Elas estão fora de moda, não é? - Disse sem manter contato visual.
Porque você está ficando nervosa agora?! Exclamou já irritado bagunçando seus cabelos. Eu te darei conselhos amorosos a qualquer hora, mas já está tarde, então o que acha de amanhã...? Tentou ajudar com um sorriso assustador. Ela então olhou para ele com seus enormes olhos brilhantes.
Mesmo? Você vai me ajudar?
Eu vou. Eu vou, eu vou, eu vou! Eu farei qualquer coisa! Disse ainda irritado e sonolento.
Qualquer coisa, certo? Você irá me obedecer como um cão? Você fará qualquer coisa ao extremo? Disse ainda séria, com os grandes olhos fixados em Ryuuji.
Sim, eu irei. Eu prometo! Disse calmamente fechando os olhos, cansado. Então, vamos terminar por aqui, ok? ok? Novamente com o sorriso assustador.

Após recolher suas delicadas sapatilhas vermelhas e seu assustador bastão de madeira, Taiga vai, silenciosamente em direção a porta principal, enquanto Ryuuji tentava descobrir como ela entrara pela janela.
Bem, então. Disse ela quebrando o silêncio.
Oh, eu te levarei para casa.
Não, está bem. É perto, e eu tenho esse bastão de madeira. Murmurou colocando sua arma sobre os ombros.
Espere isso é perigoso!
Aquele buraco... Disse Taiga ignorando-o. Ela se referia ao pequeno buraco que fizera na parece da casa de Ryuuji enquanto tentava o acertar com o bastão.
Oh, aquele? Eu posso simplesmente cobrir com algum papel. Disse sonolento.
Aqui. Murmurou entregando-o seu envelope rosa vazio. - Você pode usar isso. Se acabar custando algum dinheiro, eu te pagarei depois. Vejo você depois, Ryuuji. Disse batendo a porta.
Sim... Murmurou para as paredes.


Enquanto Ryuuji lavava a louça que estava acumulada na pia e preparava seu almoço, observava o coração que ele retirara da carta de Taiga e colara no buraco da parede. Ele sorriu. Pensou em como a noite passada havia sido um caos, restando apenas poucas horas de sono. Por isso se sentia sonolento. O barulho de seu celular interrompe seus vastos pensamentos.
- Alô! - Atendeu Ryuuji.
- Venha aqui imediatamente! Você está... - Rapidamente Ryuuji desliga o telefone desesperadamente. Alguém ligara furioso. Então o telefone toca novamente e ele percebe que fora Taiga que o telefonou.
- Sim? - Responde mais calmo e ainda não acreditando que ela o ligara a esta hora.
- Você desligou, não foi? - Disse furiosa. Ryuuji suspirou.
- Ir aonde? - Ela dava instruções do outro lado da linha. - Hã!? - Disse caminhando em direção à mesma porta de vidro por onde Taiga entrara noite passada. - Á varanda, por quê?... Oh! - Gritou. Taiga estava praticamente à sua frente com o telefone o ouvido o observando. - Como? - Gritou outra vez.
- Você disse que faria qualquer coisa, assim como um cão, certo? - Disse indiferente, ignorando-o.
- Espere, isso é sobre aquele negócio do Hugo de ontem... - Disse ainda falando pelo telefone.
- Se você não vier, sabe o que irá acontecer, não sabe? Se quiser, eu posso te mostrar...
- Hum, sabe... - Disse se virando para dentro de casa. - Espere mais dez minutos. O arroz temperado estará pronto dentro de dez minutos! - Exclamou se virando para ela novamente. Então se ouviu um ronco. - Você também quer um pouco? - Ofereceu. Ela apenas consentiu com a cabeça corando.


Ao entrar no prédio onde Taiga morava, a apenas dez metros da casa de Ryuuji, ele percebera que era um lugar não muito comum no bairro onde morara. Taiga vinha de uma família muito rica, donos de empresas de importância nacional. Ela era filha única e como todos os filhos únicos de famílias ricas, recebeu tudo que desejava, queria e pedia, menos a coisa que mais lhe fazia falta, a companhia de seus pais.
Ao chegar na frente da enorme porta onde dizia "Família Aisaka" ele apertou a brilhante campainha. Porém, ninguém respondeu. Tentou abrir a porta que estava aberta.
- Que diabos é esse cheiro? - Disse fazendo careta e tampando o nariz ao entrar no apartamento.
O apartamento era enorme, digno de cinema. Era tudo muito moderno e espaçoso. Ryuuji ia caminhando em direção ao interior do ambiente.
- Algo está fedendo muito. - Reclamava e então parou de andar ao ver a enorme pia toda suja com mofos e tudo que poderia vir de um esgoto. - Taigaaaa! - Gritou.
Ryuuji não estava acreditando em como uma menina poderia deixar uma casa tão imunda assim. Saiu correndo desesperado abrindo a porta de todos os quartos, quando finalmente chega ao quarto de Taiga.
- Por favor, permita-me limpar sua cozinha! - Gritou o máximo que pode ao abrir a porta. Porém logo percebeu que seu quarto estava no mesmo estado, deu um grito. Roupas sujas jogadas por todo o quarto e embalagens de comidas prontas jogadas em outro canto.
- O que, dormindo de novo? - Pensou ao vê-la deitada na cama desacordada. Observou-a mais de perto. - Ela parece feita à mão... A Taiga dormindo realmente parece uma boneca.
A casa realmente não tinha sinal algum de alguém vivendo nela. Parecia fazer parte de uma casa de bonecas. Mas era muito grande para ser a casa de bonecas de alguém.
- Isso levará quinze minutos, eu acho. - Disse ao chegar na sala. - Certo!

O sol da manhã batia iluminando o quarto de Taiga, que despertava. Caminhou ainda sonolenta segurando uma almoçada contra seu corpo, até a sala e ao abrir a porta teve uma surpresa.
-O que é... Isso..? - Pensou confusa ao ver seu apartamento brilhando. Olhou para mesa e viu seu almoço totalmente pronto e quentinho em cima da mesa. Ela exibia seus enormes olhos ao observar casa detalhe.
- Ei! - Disse Ryuuji terminando de enxugar o pouco restante de louça lavada. - Eu ainda estou acabando, mas está bem mais limpo agora, não é? Isso estava horrível, a água acumulada na pia estava podre! E a sala estava cheia de poeira... - E foi novamente interrompido com uma almofadada na cara.
- Uma ofensa. - Fez cara de brava. - Limpeza forçada. Você não saiu demarcando território, saiu, cachorro?!
- Cachorro?! - Gritou furioso.
- Eu tenho que pedir desculpa aos outros cães. Você é um cão mestiço! - Disse irritada.
- Que cadela mais ingrata, enquanto os outros te... - Parou de falar subitamente ao ver Taiga indo sentar-se à mesa. Ryuuji sorriu ao ver pega-la o garfo. - Ei, cadê a sua oração à mesa? - Disse rindo.
- Querido deus do arroz e produtores desse produto, obrigado pela refeição! - Gritou com os olhos fechados. E logo em seguida começou a devorar seu almoço feito por Ryuuji.
- Você... Ei, seu nariz parou de escorrer.
- Sim, é porque o apartamento está todo limpo...
- O que você acabou de dizer? - Disse de divertindo.
- Cala a boca!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Capítulo 1 - O Tigre e o Dragão (Parte II)

– Ok, por hoje é só. – Disse a professora arrumando seus papeis em cima da mesa. – Aqueles que ainda não entregaram o novo questionário, venham até a sala dos professores mais tarde, ok?
Ryuuji se distraíra durante a entediante aula de Geografia. Olhando para o lado de fora da grande janela lateral da sala, era tomado por pensamente vagos. Pensava também, no quanto aquele soco doeu. Involuntariamente, olhou para o outro lado da sala, onde ouvira uma voz, a mesma voz doce que adorava ouvir. Era Alice, conversando com a dona do soco no rosto dele. Taiga.
– Você está vem Taiga? Você chegou tarde! – Perguntou Alice preocupada após um espirro de sua amiga.
– Eu fui ao médico e ele disse que isso foi causado pela poeira de casa. – Murmurou Taiga enquanto Alice lhe entregava um lenço de papel.
– Uma doença dos tempos modernos, isso deve ser difícil!
Então a Tigresa Portátil é amiga da Alice Minori. Aquele com problemas aqui sou eu. – Pensava ele se virando rapidamente. Seus pensamentos e distrações foram interrompidos com a preocupação de seu melhor amigo, Hugo.
– Você está bem?
– Sim, eu acho.
– Mas, você sabe... – E então viraram suas cabeças para a conversa de um grupo de meninas que sussurravam ao lado.
– Eles foram incríveis, o Ryuuji e a Taiga! – Diziam elas. – A tigresa portátil é forte mesmo. – A outra comentava. – De qualquer forma, Ryuuji apenas parece assustador. Ele não é um delinqüente de verdade.
– Parece que será mais fácil de desfazer os mal-entendidos. – Disse Hugo virando-se.
– Ainda bem!


– Ryu-yu-yuuji, você não está perdido sobre que direção tomar em sua vida está...? – Disse a professora representante da classe do Ryuuji, na sala dos professores.
– O que!? – Exclamou.
– Ma-ma-ma-mas... Eu realmente preciso que você devolva o seu questionário. Todos os outros estudantes já entregaram os seus.
– Oh, sinto muito, eu esque.. – Quando, de costume, Ryuuji foi colocar uma das mãos na cabeça, a professora deu um pulo, jogando todos os papeis para cima e usando as mãos como escudo.
– Desculpa! Desculpa! – Gritava ela apavorada. – Você não quer um estranho vindo te dizer o que fazer enquanto você ainda está decidindo sobre o que fazer com sua vida, certo? – Apenas suspirou e abaixou a cabeça frustrado. – Por favor, me perdoa! – ainda dizia ela.
Desistiu de tentar concertar as coisas, e então, olhou para o relógio.
– Desculpe professora, tenho que ir!
Já era fim de tarde. O céu era alaranjado do lado de fora da janela. Ryuuji saiu correndo até a sala para pegar suas coisas que deixara lá. Quando abriu a porta da sala, se deparou com todas as cadeiras bagunçadas e algumas ainda faziam movimentos e cambalhotas no ar. Assustado com o barulho, Ryyuji deu um pulo para trás. Do outro lado da sala de aula, um armário de repente cai, e de lá de trás, aparece Taiga, sentada, com seus olhos fechados e com uma respiração forte. Quando finalmente abre seus olhos, percebe que ela mantém uma cara não muito boa.
– Es-Está tudo bem!? – Perguntou assustado ainda com o barulho.
Nem uma resposta se ouviu, então timidamente Ryuuji dá alguns passos entrando na sala, cantarolando como se nada houvesse acontecido. Eu apenas a deixarei quieta. – Pensou se aproximando da sua carteira.
– Ei! – Ouviu-se um barulho vindo do meio das carteias bagunçadas.
– O que!? – Gritou assustado.
– O que vo... O que você está fa... O que você está fazendo? – Disse Taiga, ainda se levantando meio tonta.
– E-Eu apenas vim pegar a minha bolsa.
– Essa é a sua bolsa?! A sua carteira não é outra!? – Disse desesperada. – Eu troquei os lugares das car-carteiras! – E inesperadamente a Tigresa Portátil se atira em direção ao Delinqüente Ryuuji. Ele segurava sua bolsa de um lado, enquanto Taiga a puxava de outro. Porque ela quer minha bolsa!? – Pensava com uma careta na cara.
– Ei, pare já com isso! – Gritou Ryuuji fitando-a.
De repente ela solta um espirro e então larga a bolsa. Em uma fração de segundos, por causa do impulso, Ryuuji foi atirado em direção a o único armário que restara em pé. Pilhas de livros choveram em sua cabeça. Essa já era a segunda vez, só hoje. – Pensava.
– Por que, por que você... – Gritou Ryuuji. Porem foi interrompido por Taiga. Mas não por palavras, mas sim por causa de um estranho gesto. Não havia luz o suficiente para ver nitidamente, pois já era tarde, porém, sua silhueta refletida pela luz do entardecer não enganava. Seus grandes e frustrados olhos olhavam suas duas mãos abertas, como se havia perdido algo.
– Ta-Taiga! – Murmurou Ryuuji.
Ela apenas o olhou sem expressão alguma e saiu dando murros nas carteiras que ainda restavam em sua frente.
– E-Ei! – Gritou. Ela apenas parou, sem olhar para trás.
– Idiota! – Explodiu nervosa e então fechou a porta com toda sua força.
– Ela é uma bagunça. – Disse ele ainda sentado no chão com livros a sua volta. – E essa sala também...


23h35min da manhã. Ryuuji estava sentado ouvindo música e tentando resolver um problema de cálculo em seu caderno.
– Ah, isso é muito difícil! – Murmurou já cansado. Decidiu então, pegar então o livro de matemática que estava na sua bolsa.
Enquanto a vasculhava na procura de seu livro, ele encontra um pequeno pedaço de papel que não lhe pertencia.
– Hã!? O que é isso? – Disse confuso. – Para Hugo Kitamura!? – Era isso que dizia o pequeno envelope rosa. Então o virou. – De Taiga Aisaka!? – Estava escrito no verso do envelope lacrado com um pequeno coração. – Ah, entendi. – E então, esboçou um sorriso de lado.
– "Você colocou isso na minha bolsa por engano, certo?" – Ele disse fazendo uma voz boba, com um tom de deboche. – "eu nem posso imaginar o que há aí dentro, já que eu não espiei!" – Disse rindo e balançando a carta se divertindo. – "Então eu simplesmente irei devolvê-la a você!"... e, Haã!? – Gritou ao abrir sem querer o envelope. – Droga, eu tenho que selar de novo! – Pensou tentando colar o coração no lugar de novo. Levantou-a sobre sua cabeça em direção a luz para observar se era suspeito ele ter aberto, mesmo que sem querer, a carta. Olhou mais de perto e percebeu que dentro dela não havia absolutamente nada.
– Ela... É tonta como o inferno, não é? – Sorriu. – Vou dormir...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Capítulo 1 - O Tigre e o Dragão (Parte I)

Lisa, você ainda está deitada, já é manhã! – Murmurou Ryuuji enquanto pegava algumas roupas jogadas no chão da sala.
Lisa, que estava deitada no chão da sala, o agarrou pelas pernas.
– Peguei você! – Disse ela sonolenta e divertida.
Não se importando com a situação e com a cara fechada Ryuuji continuou andando e arrastando-a pela sala, ainda carregando a montanha de roupas sujas.
– Como você é frio Ryuu! – Disse Lisa fazendo bico.
– Eu te disse ontem à noite que, a partir de hoje, eu tenho que ir à escola, certo? – Exclamei vestindo o blazer de meu uniforme.
– Oh, a cerimônia de abertura. Parabéns por passar de ano! – Disse ela ainda deitada no chão.
– Você deveria mesmo ser sarcástica com seu filho, quando ele está começando o seu novo ano escolar? – Eu falava do outro lado da pequena sala.
– Ei, o quarto está escuro. Abra as cortinas! – Lisa exclamou ignorando seu filho.
Então as duas cabeças viraram-se para a direção da simples janela que ficava em uma das paredes da pequena sala.
– Elas estão abertas...
– Hã! - A jovem mulher deu um pulo de susto. – É um edifico enorme! – Disse surpresa.
– Eu me pergunto que tipo de pessoa vive aí... Depois que ele foi construído, o sol parou de brilhar aqui, e nossas roupas não secam direito. Todas as manhãs há mofo, podridão, pilhas de mofo... – Disse o alto garoto com a testa enrugada e um pouco de ressentimento na voz, sem querer.
– Que olhar afiado! Você está começando a se parecer mais e mais com seu pai! – Afirmou Lisa com as duas mãos no rosto e com um olhar brilhante, interrompendo-o.
Ryuuji parecia furioso. Ao ouvir as palavras "parecer mais e mais com seu pai", foi tomado por lembranças ruins e raiva. Subitamente se levantou, fechou o punho e olhou diretamente para sua mãe que estava na outra extremidade da mesa de madeira.
– Não me compare a aque... – E foi novamente interrompido.
– Oh, que legal! Cada vez mais com seu pai! – Anunciou empolgada.
Então desistindo, se acalmou. Abriu seus punhos e abaixou a cabeça esboçando um sorriso.
– Ah, não dá pra falar com você! - Disse ele pegando sua bolsa e marchando até a porta principal da limitada casa onde viviam.
– Você já está indo embora? E a minha comida?
– Está no lugar de sempre! - Gritou já afastando-se casa.
E então saiu caminhando em direção ao seu colégio. Isso era o que Ryuuji menos queria ouvir. Era por conta desse olhar em seu rosto, esse olhar que sua mãe tanto elogiava que desagradáveis coisas aconteciam inesperadamente.
– Ei! Espere, espere! – Disse um garoto para seu amigo que caminhava logo a frente de Ryuuji, ambos estudavam no mesmo colégio que ele. Correndo, sem querer se esbarrou no garoto pensativo. Quando se viraram para trás, se assustaram.
– Ryu-yu-yuuji! O que raios você está fazendo!? – Gritava desesperado o menino que esbarrara nele.
– O que? O q-? – Tentou então acalmá-lo. Foi em vão.
– Eu não tive a intenção...! Por favor, aceite isso e deixe-nos ir! – Disseram assustados, entregando-o suas carteiras. – Isso é tudo que temos! É verdade! V-vê? Nós não estamos te incomodando, estamos?!
– Não, eu...
– Perdoe-nos! – Disseram antes que Ryuuji pudesse se pronunciar e então saíram correndo.
– Eu... – Então, abaixou a cabeça com raiva.
Chegando ao colégio, subiu até a secretaria.
– De novo? Você com certeza apanha muitas carteiras. - Disse o secretário, pegando-as de suas mãos sem saber da verdadeira história.
– Uh, sim. – Murmurou Ryuuji.
Como era o primeiro dia de aula, desceu novamente para o pátio onde estavam os nomes dos alunos e suas respectivas salas.
– Legal, estamos na mesma sala de novo! - Ouvia por todo lado.
Concentrado, procurando por seu nome na área do 2º ano, Ryuuji olhou para os lados. Um circulo havia se formado ao seu redor deixando o alto garoto de cabelos escuros justamente no meio. Todos estavam com medo.
– Maldição, isso de novo não... – abaixou sua cabeça, novamente nervoso.
De repente, uma mão bate em seu ombro.
– Nós estamos na mesma sala de novo, não estamos, Ryuuji? – Disse Hugo, seu velho amigo de infância, com um grande sorriso no rosto.
– Hugo! – Murmurou um pouco mais aliviado.


– E agora encerramos nossa cerimônia de abertura desse ano. – Dizia o diretor pelo auto-falante. – Todos, por favor, dirijam-se para à sala de preparação. Ryuuji caminhava silenciosamente ao lado de Hugo em direção à sala de aula. De alguma forma, ele se sentia desanimado por mais um ano no colégio. Então, o silêncio foi quebrado.
– Uma nova classe. Parece que eu tenho que começar a desfazer todos os mal-entendidos de novo...
– Vai dar tudo certo! – Exclamou Hugo com um pequeno sorriso. – Eu já sei de tudo, então isso não será necessário para todos. – Disse parando e fazendo pose de super-herói, divertindo-se.
E então involuntariamente Ryuuji sorriu, mesmo que por um ligeiro momento.
– Sim, obrigado. – Suspirou.
E era verdade. Existiam pessoas como ele, que mesmo inconsciente mente, o fazia diariamente, enfrentar essa rotina entediante que era a escola. Existiam outras pessoas também...
– Ei, Ryuu! – Disse uma voz alegre e familiar.
Ele se virou rapidamente. Seus olhos se arregalaram e em seguida deu um pulo para trás, Ryuuji corou.
– Nós estamos na mesma classe neste ano também! – Disse a linda garota de cabelos curtos avermelhados indo ao seu encontro.
Ryuuji continuou paralisado ali mesmo, onde estava. Parecia uma pessoa correndo um risco de vida em pleno avião decolando emergencialmente. Suas pernas tremiam.
– Ryuuji, certo? Você se lembra do meu nome? – Disse a bela menina saltando em sua direção. - Eu de vez em quando ando com o Hugo. – Exclamou alegre como sempre, fechando seus olhos por um momento e apontando para seu amigo.
– Hã, hum, é... – Gaguejou. – O que eu estou fazendo!? É só uma menina! – Pensava consigo mesmo. Olhou para o lado, e finalmente algum som saiu de sua garganta.
– A-Alice Minori, certo? – Disse mais alto do que planejava.
– Oh, você se lembrou do meu nome completo! Estou muito contente! – Declarou saltando e com seus enormes olhos brilhando em sua direção. Pulou novamente.
– Ela está contente! E isso é ótimo! – Pensou abaixando a cabeça, envergonhado.
– E, com isso, vamos todos aproveitar as aulas intensamente e com a alto astral! – Dizia Alice sem parar e saltitante, enquanto saia para o outro lado do corredor.
– Sim! – Gritou Hugo acenando.
– O-Ok! – Gaguejou. Foi a única coisa que conseguiu dizer.
– Qual o problema, Ryuuji? – Preocupou-se o amigo.
– E-eu só preciso ir ao banheiro. – Disse mexendo na ponta de seu cabelo como sempre fazia.
– Ok, eu irei para a sala na frente. – afirmou se afastando.
Ryuuji apenas fechou seus olhos, sorriu e começou a caminhar pelos longos e iluminados corredores do colégio, pensando como o início do ano letivo já começara bem, quando sentiu algo batendo em seu peito.
– Hã!? O que? – Exclamou abrindo os olhos. Ouvia gente em todo o corredor comentando.
– Deus do céu! Ele já está indo em direção a uma batalha decisiva! – Pessoas murmuravam assustadas, observando-o. – Ryuuji Takasu e Taiga Aisaka! Os dois mais perigosos já estão se enfrentando!
– Hã? – Ele ainda não havia entendido. Havia uma expressão confusa em seu rosto.
Rapidamente olhou para baixo e havia uma garota baixinha, com longos cabelos loiros, afundada em seu peito. Rapidamente se afastou assustado.
– Whoa, ela é tão pequena, assim como uma boneca. Mas de alguma forma... – Pensou, enquanto ela, com um dos punhos fechados e a outra mão passando em suas testa, olhava para baixo com um olhar fixo para o chão. De repente ela olha para Ryuuji com olhos furiosos e levanta seu pequeno punho fechado. – ... De alguma forma há esse ódio. Como se você fosse ser devorado se desse um passo em falso.
– Whoa, é verdade! O Delinqüente Ryuuji e a Tigresa Portátil estão...! – Alguém dizia interrompendo seus pensamentos.
– Tigresa... Portátil? – Pensou confuso. – Ah, entendi! – Disse olhando-a bem perto e sem querer, em voz alta. – Tigresa por que... – Foi então, interrompido com um forte soco no rosto. Enquanto caia para o outro lado do corredor e ouvia comentários assustados, pensou. Sim. Combina perfeitamente...

Prólogo

Há algo neste mundo que ninguém jamais viu.
– Que diabos! Está ficando mofado de novo. – Exclamou Ryuuji em voz alta enquanto observava o canto do seu banheiro. - Eu limpei o mofo recentemente.
É algo gentil e muito doce.
– Ah, onde será que coloquei aquele pano...?
Se encontrado, tenho certeza que todos vão querer ter, e é por isso que ninguém nunca viu. O mundo o escondeu muito bem, para certificar-se de que não é qualquer um que irá pôr suas mãos nisso.
– Droga, não consigo limpar! – Disse com voz grossa enquanto esfregava com força o canto mofado.
Mas um dia será descoberto por alguém, e somente aqueles que o merecem, será capaz de encontrá-lo.
É assim que as coisas são...