quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Capítulo 1 - O Tigre e o Dragão (Parte III)

Hã!? Murmurou Ryuuji, levantando-se da cama ao ouvir um barulho que vinha da sala.
O relógio marcava 02h03min da manhã... O que será que aconteceu? Laisa não deve ter chegado em casa ainda... Certo? Como ela trabalha durante a noite... Então apenas se levantou e foi ver o que era.
Eeei! Tem alguém ai!?... Gritou desconfiado.
O forte barulho de vento fez Ryuuji desviar seu olhar para para a grande porta de vidro que dava para a varanda. Pelo reflexo da porta viu uma pequena criatura com um grande bastão o atacando por trás. Rapidamente se virou e o segurou, tentando se proteger.
Ooow! Gritou. A pequena criatura não desistiu e continuou fazendo força. O-O que diabos.. Ryuuji abriu os olhos. Eu conheço alguém tão baixa assim...
Em um momento de distração, conseguiu derrubá-la e correu para acender a luz o mais rápido possível.
Taiga! Gritou mais do que precisava. Ela ainda sentava no chão com os olhos fechados e uma de suas mãos no nariz. Rapidamente se virou, pegou uma roupa que estava pendurada no armário aberto e assuou o nariz. Não! Use um lenço! Gritou novamente. Ela o olhou furiosa.
O-o qu-quee!!? E mais um golpe de raspão. Contudo, logo em seguida, Ryuuji foi jogado para a parede com o bastão a alguns poucos centímetros de meu rosto.
Esqueça isso Disse Taiga com uma voz assustadora.
Hã!? Esquecer isso...!? Ah, aquela car... então ela fincou o bastão na parece. Ele Tremeu. ...ta! Disse completando a interrompida frase.
Eu não posso mais continuar vivendo agora que você descobriu sobre ela. Eu tenho que morrer! Disse ela apontando o bastão para mim.
Então não tente me matar! Gritou assustado.
Eu não quero morrer, então eu tenho que te matar! Gritou ela seriamente. Ou... Você poderia esquecer tudo isso!
Isso é impossível! Então, novamente fincou seu bastão no mesmo lugar que ficara antes.
Tudo bem, só vou atingir sua cabeça com isso. Mesmo que não consiga te matar, posso mandar suas memórias para longe!
Não me mande para longe! Se desesperou. Escuta aquela car...
Cale-se!
O quee!?
Cale-se, cale-se! Começou a se sacudir. Você viu, não viu?! Você leu, não foi?!
É isso que estou tentando lhe dizer. Eu não... E novamente foi interrompido.
Não! Isso não vai dar certo. Então você tem que esquecer tudo sobre a ca-carta de amor! Gritou corando.
No entanto rapidamente levantou seu bastão que foi de encontro a Ryuuji. Em frações de segundos ele conseguiu ver sua vida toda. Mas como não iria deixar terminar assim, tomou uma atitude rápida.
Estava vazia! Exclamou rapidamente, antes que algo pior poderia acontecer.
Va-vazia...!? E então parou seu bastão a poucos centímetros da ponta do nariz do já pálido Ryuuji.
Sim. Não havia nada dentro. Disse ele mais calmo. Você teve sorte em não entregá-la para o Hugo. Ela o olhava fixamente. Vamos apenas esquecer tudo isso e...
Sua atenção logo se voltaram para o barulho que ouvira. Taiga havia caído de cima da mesinha de café na qual estava em cima para parecer mais alta. Então, ouviu-se um ronco.
He-Hey...!

Sentados na simples mesa no centro da sala, Ryuuji apenas a observava comer vorazmente a comida que preparara. Quanta comida caberia na barriga dessa pessoa tão pequena? Pensava com o rosto apoiado nas duas mãos sobre a mesa.
Exatamente o quanto faminta você está? Enrugou a testa.
Eu fiquei cansada da loja de conveniência. Disse com a cara fechada enquanto pegava mais um pouco de carne.
Loja de conveniência!? O quê, seus pais não te... Parou por um momento. Quem sou eu para falar de relacionamento com os pais? Acho que todos têm problemas familiares. Pensou. Aqui! Disse esticando sua mão para lhe entregar um lenço de papel. Pegando o lenço rapidamente, corou, pois percebera que estava com o rosto sujo.
Se você apenas tivesse me entregado a bolsa aquela hora, nada disso teria acontecido! Murmurou Taiga limpando seu pequeno rosto. Como você pretende reparar seu erro!? Gritou se levantando da mesa.
Seu rosto ainda está sujo. Balbuciou Ryuuji sem interesse algum na proposta da colega. Taiga arregalou os olhos e então limpou envergonhada.
Ouvir isso de um cara que só nasceu para pôr a essência de alho no óleo usado neste arroz frito... Disse olhando para baixo com o lenço ainda no rosto.
Agora escute aqui... Gritou Ryuuji batendo na mesa. Foi interrompido ao olhar para Taiga. Pequenas lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ele ficou pensativo. - Como uma carta de amor pode ser constrangedora? Perguntou tentando se redimir. Entenda, não está nem perto de ser embaraçosa. Apenas espere.
Ryuuji se levantou, deixando a garota com um ponto de interrogação no rosto. Ele poderia, talvez, entender a frustração que sua colega estaria sentindo, com poder ao menos, entregar uma carta descentemente. Assim, percebeu que também tinha esse problema. A muito tempo nutria um amor platônico por sua colega de classe, Alice Minori, e se quer a fez perceber disso.
Voltando a sala, onde deixara momentos antes, Ryuuji carregava uma grande caixa cheia de CDs, cadernos de anotações, cartas e outras tralhas.
Observe! Disse ele colocando a caixa sobre a mesa. Taiga se virou automaticamente sem entender nada.
O-oque é tudo isso? Disse pegando um dos cadernos jogados no canto da caixa. Ele riu e fechou os olhos, cruzando os braços sobre o peito.
Essa é uma lista de músicas que eu usaria em um concerto para a garota que eu gosto. Esse é um poema que eu criei para ela sem me perceber. Mini discos para tocar em uma viagem de carro com ela. Taiga apenas achava isso um monte de tralhas patéticas, feitas por um menino patético. Eu tenho planos determinados para todas as estações do ano. - Repugnante, não é? Completou Ryuuji tentando fazê-la sentir-se melhor. Já que eu não tenho coragem de me confessar para ela, eu só tenho que imaginar dessa forma. É terrivelmente miserável, mas eu não penso nisso como embaraçoso! Você precisa crer em si mesma! Você foi além da imaginação e tomou a iniciativa. Disse se sentindo um conselheiro. Você tem que pensar no seu futuro, intensamente, e com alto astral! Disse com os olhos ainda fechados.
"Eu concedo isso a ti, Alice Minori" Leu Taiga, um dos livros de Ryuuji, interrompendo-o.
Sim, exatamente como Alice Minori! ... O- o que!? Gritou ao perceber que Taiga descobrira de quem ele gosta.
Então você gosta de Minori... Disse indiferente. Que insolente. Murmurou Taiga levantando o caderno que Ryuuji tentara pegar. Aprenda seu lugar.
Cale a boca! Quem é você para falar isso? Disse furioso.
Qual é a sua?! Você disse que esqueceria! Gritou ela dando-lhe um soco.
Ao cair, Ryuuji olhou para o relógio que marcava 04h16min da manhã.
Já esta tarde. Exclamou se levantando. D-De qualquer forma, nós estamos no mesmo barco! Eu não vou dizer nada sobre a carta, tudo bem pra você?
- Não. Respondeu fria se virando para o lado.
- Por quê?! Não, espere ... Você já teve sua refeição, então saia! Disse irritado. Ou melhor, por favor, poderia sair? Minha louca mãe está quase chegando! Implorou gritando.
- De. Jeito. Nenhum. Gritou irritada. Eu não posso confiar em você. Além do mais... Ela corou. Como são as cartas de amor? Elas estão fora de moda, não é? - Disse sem manter contato visual.
Porque você está ficando nervosa agora?! Exclamou já irritado bagunçando seus cabelos. Eu te darei conselhos amorosos a qualquer hora, mas já está tarde, então o que acha de amanhã...? Tentou ajudar com um sorriso assustador. Ela então olhou para ele com seus enormes olhos brilhantes.
Mesmo? Você vai me ajudar?
Eu vou. Eu vou, eu vou, eu vou! Eu farei qualquer coisa! Disse ainda irritado e sonolento.
Qualquer coisa, certo? Você irá me obedecer como um cão? Você fará qualquer coisa ao extremo? Disse ainda séria, com os grandes olhos fixados em Ryuuji.
Sim, eu irei. Eu prometo! Disse calmamente fechando os olhos, cansado. Então, vamos terminar por aqui, ok? ok? Novamente com o sorriso assustador.

Após recolher suas delicadas sapatilhas vermelhas e seu assustador bastão de madeira, Taiga vai, silenciosamente em direção a porta principal, enquanto Ryuuji tentava descobrir como ela entrara pela janela.
Bem, então. Disse ela quebrando o silêncio.
Oh, eu te levarei para casa.
Não, está bem. É perto, e eu tenho esse bastão de madeira. Murmurou colocando sua arma sobre os ombros.
Espere isso é perigoso!
Aquele buraco... Disse Taiga ignorando-o. Ela se referia ao pequeno buraco que fizera na parece da casa de Ryuuji enquanto tentava o acertar com o bastão.
Oh, aquele? Eu posso simplesmente cobrir com algum papel. Disse sonolento.
Aqui. Murmurou entregando-o seu envelope rosa vazio. - Você pode usar isso. Se acabar custando algum dinheiro, eu te pagarei depois. Vejo você depois, Ryuuji. Disse batendo a porta.
Sim... Murmurou para as paredes.


Enquanto Ryuuji lavava a louça que estava acumulada na pia e preparava seu almoço, observava o coração que ele retirara da carta de Taiga e colara no buraco da parede. Ele sorriu. Pensou em como a noite passada havia sido um caos, restando apenas poucas horas de sono. Por isso se sentia sonolento. O barulho de seu celular interrompe seus vastos pensamentos.
- Alô! - Atendeu Ryuuji.
- Venha aqui imediatamente! Você está... - Rapidamente Ryuuji desliga o telefone desesperadamente. Alguém ligara furioso. Então o telefone toca novamente e ele percebe que fora Taiga que o telefonou.
- Sim? - Responde mais calmo e ainda não acreditando que ela o ligara a esta hora.
- Você desligou, não foi? - Disse furiosa. Ryuuji suspirou.
- Ir aonde? - Ela dava instruções do outro lado da linha. - Hã!? - Disse caminhando em direção à mesma porta de vidro por onde Taiga entrara noite passada. - Á varanda, por quê?... Oh! - Gritou. Taiga estava praticamente à sua frente com o telefone o ouvido o observando. - Como? - Gritou outra vez.
- Você disse que faria qualquer coisa, assim como um cão, certo? - Disse indiferente, ignorando-o.
- Espere, isso é sobre aquele negócio do Hugo de ontem... - Disse ainda falando pelo telefone.
- Se você não vier, sabe o que irá acontecer, não sabe? Se quiser, eu posso te mostrar...
- Hum, sabe... - Disse se virando para dentro de casa. - Espere mais dez minutos. O arroz temperado estará pronto dentro de dez minutos! - Exclamou se virando para ela novamente. Então se ouviu um ronco. - Você também quer um pouco? - Ofereceu. Ela apenas consentiu com a cabeça corando.


Ao entrar no prédio onde Taiga morava, a apenas dez metros da casa de Ryuuji, ele percebera que era um lugar não muito comum no bairro onde morara. Taiga vinha de uma família muito rica, donos de empresas de importância nacional. Ela era filha única e como todos os filhos únicos de famílias ricas, recebeu tudo que desejava, queria e pedia, menos a coisa que mais lhe fazia falta, a companhia de seus pais.
Ao chegar na frente da enorme porta onde dizia "Família Aisaka" ele apertou a brilhante campainha. Porém, ninguém respondeu. Tentou abrir a porta que estava aberta.
- Que diabos é esse cheiro? - Disse fazendo careta e tampando o nariz ao entrar no apartamento.
O apartamento era enorme, digno de cinema. Era tudo muito moderno e espaçoso. Ryuuji ia caminhando em direção ao interior do ambiente.
- Algo está fedendo muito. - Reclamava e então parou de andar ao ver a enorme pia toda suja com mofos e tudo que poderia vir de um esgoto. - Taigaaaa! - Gritou.
Ryuuji não estava acreditando em como uma menina poderia deixar uma casa tão imunda assim. Saiu correndo desesperado abrindo a porta de todos os quartos, quando finalmente chega ao quarto de Taiga.
- Por favor, permita-me limpar sua cozinha! - Gritou o máximo que pode ao abrir a porta. Porém logo percebeu que seu quarto estava no mesmo estado, deu um grito. Roupas sujas jogadas por todo o quarto e embalagens de comidas prontas jogadas em outro canto.
- O que, dormindo de novo? - Pensou ao vê-la deitada na cama desacordada. Observou-a mais de perto. - Ela parece feita à mão... A Taiga dormindo realmente parece uma boneca.
A casa realmente não tinha sinal algum de alguém vivendo nela. Parecia fazer parte de uma casa de bonecas. Mas era muito grande para ser a casa de bonecas de alguém.
- Isso levará quinze minutos, eu acho. - Disse ao chegar na sala. - Certo!

O sol da manhã batia iluminando o quarto de Taiga, que despertava. Caminhou ainda sonolenta segurando uma almoçada contra seu corpo, até a sala e ao abrir a porta teve uma surpresa.
-O que é... Isso..? - Pensou confusa ao ver seu apartamento brilhando. Olhou para mesa e viu seu almoço totalmente pronto e quentinho em cima da mesa. Ela exibia seus enormes olhos ao observar casa detalhe.
- Ei! - Disse Ryuuji terminando de enxugar o pouco restante de louça lavada. - Eu ainda estou acabando, mas está bem mais limpo agora, não é? Isso estava horrível, a água acumulada na pia estava podre! E a sala estava cheia de poeira... - E foi novamente interrompido com uma almofadada na cara.
- Uma ofensa. - Fez cara de brava. - Limpeza forçada. Você não saiu demarcando território, saiu, cachorro?!
- Cachorro?! - Gritou furioso.
- Eu tenho que pedir desculpa aos outros cães. Você é um cão mestiço! - Disse irritada.
- Que cadela mais ingrata, enquanto os outros te... - Parou de falar subitamente ao ver Taiga indo sentar-se à mesa. Ryuuji sorriu ao ver pega-la o garfo. - Ei, cadê a sua oração à mesa? - Disse rindo.
- Querido deus do arroz e produtores desse produto, obrigado pela refeição! - Gritou com os olhos fechados. E logo em seguida começou a devorar seu almoço feito por Ryuuji.
- Você... Ei, seu nariz parou de escorrer.
- Sim, é porque o apartamento está todo limpo...
- O que você acabou de dizer? - Disse de divertindo.
- Cala a boca!

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